Uma leve brisa trespassa a minha face como um
pássaro que se guia pela corrente do vento.
Sento-me neste banco de jardim claro e bonito,
coloco a mala sob as minhas folhas, tiro o caderno verdejante, reluzente e uma
caneta realmente elegante.
Começo a desenhar vogais e consoantes juntas
com que depois acabei por formar palavras. Quando dei por mim, estava já escuro
e frio.
Acabo a frase que escrevera, arrumo o caderno,
levanto-me e começo a caminhar...
Já eu descia a rua, quando o nosso olhar se
cruzou para além de tudo o que era vulgar.
Caminhavas distraído e eu escutava os teus
passos apressados, descendo a avenida onde nos tínhamos encontrado.
Chegada a casa, deitei-me sobre o edredon da
cama, abri a mala e retirei de lá o meu caderno e a caneta.
Fiz, novamente, o que antes fizera no banco de
jardim. Adormeci a escrever.
Quando acordei, o caderno estava aberto em cima
da almofada e a caneta algures perdida no meio da cama.
Levantei-me, preparei-me e sai.
Era fim-de-semana.
Voltei a encontrar-te. Ganhei coragem e
convidei-te para um café!
Apaixonei-me por ti logo que te vi e essa era a
realidade... Um impulso assolava a minha reação que teimava em beijar-te, mas,
controlei a minha sede de ti e tu aceitaste o meu convite.
Conversamos pela madrugada fora até que eu
disse que se fazia tarde e seria melhor regressar a casa e tu levaste-me até à
praia.
Sentámo-nos na areia húmida, testemunha da
violência e bravura do mar, e observámos com atenção o nascer do sol sob as
águas reluzentes do horizonte.
Abraçaste-me, e num longo e demorado beijo,
lançaste-te ao meu coração como um vilão e roubaste-mo para sempre.
Deixaste-me sozinha por um instante e, quando
me voltei, vinhas tu ao meu encontro.
Paraste de um grande coração desenhado na
areia, ajoelhaste e, oferecendo-me uma bonita rosa encarnada, exclamaste ao meu
ouvido: " Amo-te... Desde o primeiro dia em que te vi!".
E, presa nos teus braços firmes, como uma raiz
agarrada à terra, não consegui libertar-me pois tu fazias questão em manter-me
perto de ti.
Se me perguntarem se sou feliz, eu direi que
sim porque me faltava algo para conseguir a felicidade... Já tinha família,
amigos, mas... eras tu que faltavas!
" A minha vida segue, porque quem me coordena
sou eu, mas quem prevalece no centro de todo o meu sentimento és tu!"
Deusa Do Lago Da Vida

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